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Planejamento de obras em BIM: o que mudou até 2026

Obra x Bim

Planejamento de obras: por que o BIM deixou de ser diferencial

Planejamento de obra é a etapa que define prazo, custo e qualidade de um empreendimento. Quando ele é tratado como formalidade, planeja-se até certo ponto e improvisa-se o resto, o resultado aparece como retrabalho, compra emergencial e atraso. A modelagem da informação da construção, o BIM, mudou a natureza dessa etapa. Deixou de ser recurso de escritório de projeto e passou a ser exigência contratual, com efeito direto também sobre a obra privada.

Planejamento de obras em BIM: modelo tridimensional integrado ao cronograma

O que mudou no BIM até 2026

O Decreto 10.306/2020 fixou três fases de uso obrigatório de BIM em obras e serviços de engenharia da administração pública federal. Projetos, desde janeiro de 2021. Gestão de obras, desde janeiro de 2024. Ciclo de vida completo, incluindo operação e manutenção, a partir de janeiro de 2028. Em 2026, a fase 2 está vigente: quem contrata com a União já entrega e gerencia obra em ambiente BIM.

A Lei 14.133/2021, a nova lei de licitações, determina uso preferencial de BIM nas contratações de obras e serviços de engenharia e de arquitetura, sempre que for adequado ao objeto. Não é obrigação geral, mas é diretriz que os editais já traduzem em cláusula.

O Decreto 11.888/2024 instituiu a nova Estratégia BIM BR e criou o Comitê Gestor, o CG-BIM BR, revogando o Decreto 9.983/2019. Ele trata de governança, capacitação e difusão, e não alterou o cronograma do Decreto 10.306/2020.

Fora do Executivo federal, a Agência Nacional de Transportes Terrestres tornou obrigatório o uso de BIM em projetos, obras e serviços de engenharia das concessões rodoviárias federais, exigindo das concessionárias um Plano de Desenvolvimento BIM.

Onde o mercado está, de fato

Conhecimento difundido, adoção estruturada ainda minoritária. Pesquisa de maturidade digital do BIM Fórum Brasil, de 2025, indica que 70% das empresas da construção permanecem nos estágios tradicional ou iniciante. Na outra ponta, a pesquisa nacional do Confea mostra que mais de 95% dos profissionais declaram familiaridade com BIM e que 77,1% avaliam positivamente seus impactos.

O contraste é a informação útil: existe repertório técnico no mercado, mas falta processo. E é processo que a exigência contratual cobra.

Cinco razões para planejar em BIM

1. Compreensão do projeto por todos os envolvidos

O modelo tridimensional permite que proprietário, projetistas, orçamentista e equipe de obra enxerguem a mesma coisa. Alternativas construtivas passam a ser comparadas sobre o modelo, e não sobre descrições em texto.

2. Compatibilização e qualidade antes da execução

Colisões entre disciplinas, como elétrica, hidráulica, incêndio e ar-condicionado, são identificadas no modelo, e não no canteiro. Cada interferência resolvida antes da execução evita desmontagem, retrabalho e compra emergencial.

3. Quantitativos e custo acompanhando o projeto

As quantidades extraídas do modelo alimentam as estimativas e se atualizam quando o projeto muda. Com isso, a variação de custo passa a ser medida durante a concepção, quando ainda é possível decidir, e não depois do contrato assinado.

4. Prazo e sequenciamento, o quarto D

Vinculado ao cronograma, o modelo permite simular a obra no tempo e verificar o que a sequência escolhida provoca em frente de serviço, equipamento e mão de obra. Frente ociosa e interferência de cronograma ficam visíveis antes de virarem atraso.

5. Operação e manutenção: a exigência que chega em 2028

A fase 3 do Decreto 10.306/2020 estende a obrigação ao ciclo de vida completo, incluindo operação e manutenção, a partir de janeiro de 2028. Empreendimento que nasce sem informação organizada para essa fase terá de reconstruí-la depois, a custo maior. Planejar em BIM hoje é também preparar a entrega da informação ao longo da vida útil.

As normas de referência

A série ABNT NBR ISO 19650 organiza a gestão da informação na construção. As partes 1, 2 e 3 foram publicadas no Brasil em outubro de 2025, e a parte 6 segue em consulta nacional. Para quem contrata ou executa, é essa família de normas que define o que entregar, quando entregar e em que formato, que é, na prática, o conteúdo de um Plano de Execução BIM.

Perguntas frequentes

BIM é um software? Não. BIM é processo de gestão de informação. Os softwares são o meio de produzir e trocar o modelo.

Obra privada é obrigada a usar BIM? Não por lei geral. Mas contratos, financiamentos e exigências de incorporadoras podem trazer a obrigação, e parte do mercado já a inclui como condição de projeto.

Preciso esperar 2028 para tratar operação e manutenção? Não. Quem estrutura a informação agora chega em 2028 com o modelo atualizado.

Empreendimento relacionado

O Eurobusiness teve os projetos de automação e segurança desenvolvidos pela Vieira+Jr, a empresa de engenharia do Grupo Vieira Santos. Escopos assim exigem coordenação entre disciplinas desde a fase de projeto, o mesmo princípio que sustenta o planejamento em BIM. O caso está no portfólio do Grupo Vieira Santos.