Automação reduz botões e cria ambientes mais aconchegantes

Criar um cenário aconchegante em casa requer atenção em vários detalhes. Além de objetos e cores que sejam do agrado dos moradores, é fundamental equilibrar a iluminação do local. E essa ideia de provocar sensações e emoções a partir da luz atravessou séculos. Há registros de que na Idade Média, por exemplo, costumava-se combinar luzes naturais com velas, produzindo assim uma atmosfera personalizada para cada ambiente.

Essa prática foi tão bem aceita que virou ciência e ganhou o nome de luminotécnica, um estudo detalhado de como a iluminação pode ser definida para que mantenha caráter decorativo e funcional ao mesmo tempo. Com a luminotécnica, atividade de responsabilidade de profissionais como light designer, é possível instalar vários pontos de luz em um único ambiente, solução repassada a todas áreas do imóvel. E assim a casa ganhou mais claridade ou efeitos visuais por meio da iluminação controlada.

Foi a partir do uso cada vez mais regular dos estudos luminotécnicos que a engenharia de automação – antes de uso exclusivo da indústria para agilizar a produção – chegou às residências. Afinal, botões e interruptores vieram na mesma proporção que os focos de luz e era necessário criar um sistema capaz de gerenciar as funções, garantindo agilidade e comodidade aos usuários.

Além de simplificar o comando da iluminação, a automação residencial permitiu agregar em um único sistema o controle de outros equipamentos eletrônicos, como ar condicionado, cortinas motorizadas e portas automáticas. Um bom exemplo de aplicação da automação é no home theater, pois consegue integrar as diversas funções envolvidas no ambiente como iluminação, temperatura, áudio e imagem.

Uma das vantagens da automação é eliminar os diversos botões e controles, que acabam gerando grande confusão e ocupando tempo. Com o sistema integrado, o morador pode utilizar uma única interface, que pode ser o tablete ou smartphone. A internet, nesse caso, é opcional para comandos à distância, fora de casa. O mercado oferece opções cada vez mais personalizadas, com painéis de comando feitos a partir da planta do imóvel, tornando a utilização mais intuitiva e instantânea.

Por estar atrelado à parte elétrica da casa, recomenda-se instalar um projeto de automação no momento da construção ou reforma do imóvel, assim não será preciso realizar uma obra apenas para essa finalidade.

E não é só para grandes imóveis, com muitos cômodos e equipamentos, que a automação residencial pode ser aplicada. Há empresas que oferecem o serviço a partir de residências com 35 metros quadrados. E o custo também pode ser menor do que se imagina. É possível contratar projetos com investimentos a partir de R$ 4 mil. Ou seja, aquele cenário futurista, que ficava restrito a cenas de cinema ou desenho animado, pode estar mais perto do que você pensava.

Fonte: Gshow

Pesquisadores da UFSC criam ônibus elétrico movido a energia solar

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveu o primeiro ônibus 100% elétrico do país movido por energia solar, captada por um sistema instalado no telhado do laboratório de pesquisa. Além de não emitir poluentes, a tecnologia permitirá uma economia de R$ 2 mil mensais em combustíveis.

O ônibus, que deve começar a rodar no início de novembro em Florianópolis, foi idealizado como uma estação de trabalho móvel, com Wi-fi, para o deslocamento diário de professores e alunos entre o campus da Trindade e o laboratório no Norte da Ilha, no Sapiens Parque, no bairro Canasvieiras.

Neste trajeto, de 50 quilômetros, ida e volta, o custo com deslocamento, no caso de um sistema convencional que usa diesel para as quatro viagens feitas pelos pesquisadores diariamente, seria de aproximadamente R$ 100 diários, o que corresponde a R$ 2 mil mensais.

Otimização
Todos os dias, o grupo gasta cerca de uma hora neste percurso e a ideia do projeto é também otimizar o tempo no trânsito. Segundo a universidade, o ônibus foi adquirido com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), depois de uma licitação.

No total, de acordo com os pesquisadores, foram investidos R$ 1 milhão no projeto, além das parcerias com as empresas WEG, Marcopolo e Eletra Bus.

“A grande novidade do projeto é que se trata de um veículo que será movido por energia proveniente do Sol, limpa, renovável, inesgotável e gratuita. O sistema fotovoltaico que fornecerá energia ao ônibus está integrado ao telhado do nosso laboratório, no Sapiens Parque”, explicou o pesquisador Júlio Dal Bem, membro do Grupo de Pesquisa Estratégica em Energia Solar da UFSC.

Sem poluentes
Segundo o estudioso, um ônibus com consumo médio de 670 litros de diesel por mês emite cerca de 3,9 toneladas de CO2. Em um ano, a emissão chega a 46,8 toneladas de CO2.

Conforme Dal Bem, um estudo do Instituto Totum e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, apontou que cada árvore da Mata Atlântica absorve 163,14 kg de gás carbônico (CO2) nos primeiros 20 anos de vida, o que seria uma média de 8,1 kg de CO2 por ano.

“Precisaríamos de quase 5,8 mil árvores para resgatar o CO2 emitido por um ônibus urbano comum em um ano de operação”, complementou o pesquisador.

Montagem
Segundo Dal Bem, o sistema de tração foi desenvolvido pela WEG para fornecer ao ônibus recarga em rede com microgeração distribuída com painéis fotovoltaicos. A aplicação ocorreu em conjunto com a Marcopolo, que fabricou o veículo, bem como com a Eletra, responsável por instalar e integrar o sistema de tração elétrico e as baterias de lítio.

O primeiro ônibus elétrico do Brasil foi construído em um projeto da Mitsubishi Heavy Industries, do Japão, com a empresa Eletra Bus, de São Bernardo do Campo, informou Dal Bem. O veículo foi chamado de E-Bus e rodou por dois anos pelos corredores de ônibus da cidade.

Ao fim do projeto, toda tecnologia trazida ao Brasil pela empresa, como importação temporária, precisava ser devolvida ao Japão ou doada a uma instituição pública de ensino. Assim, carregador e baterias foram entregues à UFSC, depois que o E-Bus foi desmontado.

Aplicabilidade
“O grande problema em colocar um veículo dessa natureza em operação está na infraestrutura elétrica para carregamento. Ultimamente, temos sido sobretaxados nas contas de energia elétrica como uma forma de estimular a redução no consumo e pagar as despesas de geração com termoelétricas, que é uma energia mais cara e mais poluente, ao invés de investir em fontes limpas e renováveis”, comentou.

Dal Bem explica que a dificuldade em desenvolver este ônibus em larga escala esbarra também na infraestrutura do país.

“É exatamente o mesmo problema que dificulta a entrada de veículos elétricos no mercado nacional. Um ou outro veículo elétrico conectado à tomada não é um problema, mas 1 milhão deles, 1% da frota nacional de veículos, já implicaria em um impacto considerável no consumo de energia elétrica e previsão de infraestrutura elétrica”, complementou.

Funcionamento
A previsão é de que o ônibus passe a noite no Sapiens Parque conectado à tomada, para recarga lenta e completa das baterias. Em um primeiro momento, haverá estação de recarga apenas no Sapiens Parque, pois a infraestrutura elétrica da UFSC não comporta um carregador rápido para o veículo.

“Estamos conduzindo projetos de pesquisa para o desenvolvimento de carregadores com acumulação intermediária de energia que drenam lentamente energia da rede e armazenam temporariamente em baterias estáticas, que exigem baixa potência da rede elétrica, sem sobrecarregar a infraestrutura. Os carregadores permitem uma transferência rápida da energia acumulada nas baterias para as baterias do ônibus”, disse o estudioso.

Conforme Dal Bem, o ônibus permanecerá conectado ao carregador por cerca de duas horas após cada percurso de ida e volta.

Fonte: G1