# Planejamento de obras em BIM: o que mudou até 2026

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- Published: 2026-09-19T22:22:00-03:00
- Author: Gilberto Vieira Jr

## Planejamento de obras: por que o BIM deixou de ser diferencial

Planejamento de obra é a etapa que define prazo, custo e qualidade de um empreendimento.
Quando ele é tratado como formalidade, planeja-se até certo ponto e improvisa-se
o resto, o resultado aparece como retrabalho, compra emergencial e atraso. A modelagem
da informação da construção, o BIM, mudou a natureza dessa etapa. Deixou de ser 
recurso de escritório de projeto e passou a ser exigência contratual, com efeito
direto também sobre a obra privada.

![Planejamento de obras em BIM: modelo tridimensional integrado ao cronograma](https://
blogdosengenheiros.com/wp-content/uploads/2021/01/Imagem1-1.png)

## O que mudou no BIM até 2026

O Decreto 10.306/2020 fixou três fases de uso obrigatório de BIM em obras e serviços
de engenharia da administração pública federal. Projetos, desde janeiro de 2021.
Gestão de obras, desde janeiro de 2024. Ciclo de vida completo, incluindo operação
e manutenção, a partir de janeiro de 2028. Em 2026, a fase 2 está vigente: quem 
contrata com a União já entrega e gerencia obra em ambiente BIM.

A Lei 14.133/2021, a nova lei de licitações, determina uso preferencial de BIM nas
contratações de obras e serviços de engenharia e de arquitetura, sempre que for 
adequado ao objeto. Não é obrigação geral, mas é diretriz que os editais já traduzem
em cláusula.

O Decreto 11.888/2024 instituiu a nova Estratégia BIM BR e criou o Comitê Gestor,
o CG-BIM BR, revogando o Decreto 9.983/2019. Ele trata de governança, capacitação
e difusão, e não alterou o cronograma do Decreto 10.306/2020.

Fora do Executivo federal, a Agência Nacional de Transportes Terrestres tornou obrigatório
o uso de BIM em projetos, obras e serviços de engenharia das concessões rodoviárias
federais, exigindo das concessionárias um Plano de Desenvolvimento BIM.

## Onde o mercado está, de fato

Conhecimento difundido, adoção estruturada ainda minoritária. Pesquisa de maturidade
digital do BIM Fórum Brasil, de 2025, indica que 70% das empresas da construção 
permanecem nos estágios tradicional ou iniciante. Na outra ponta, a pesquisa nacional
do Confea mostra que mais de 95% dos profissionais declaram familiaridade com BIM
e que 77,1% avaliam positivamente seus impactos.

O contraste é a informação útil: existe repertório técnico no mercado, mas falta
processo. E é processo que a exigência contratual cobra.

## Cinco razões para planejar em BIM

### 1. Compreensão do projeto por todos os envolvidos

O modelo tridimensional permite que proprietário, projetistas, orçamentista e equipe
de obra enxerguem a mesma coisa. Alternativas construtivas passam a ser comparadas
sobre o modelo, e não sobre descrições em texto.

### 2. Compatibilização e qualidade antes da execução

Colisões entre disciplinas, como elétrica, hidráulica, incêndio e ar-condicionado,
são identificadas no modelo, e não no canteiro. Cada interferência resolvida antes
da execução evita desmontagem, retrabalho e compra emergencial.

### 3. Quantitativos e custo acompanhando o projeto

As quantidades extraídas do modelo alimentam as estimativas e se atualizam quando
o projeto muda. Com isso, a variação de custo passa a ser medida durante a concepção,
quando ainda é possível decidir, e não depois do contrato assinado.

### 4. Prazo e sequenciamento, o quarto D

Vinculado ao cronograma, o modelo permite simular a obra no tempo e verificar o 
que a sequência escolhida provoca em frente de serviço, equipamento e mão de obra.
Frente ociosa e interferência de cronograma ficam visíveis antes de virarem atraso.

### 5. Operação e manutenção: a exigência que chega em 2028

A fase 3 do Decreto 10.306/2020 estende a obrigação ao ciclo de vida completo, incluindo
operação e manutenção, a partir de janeiro de 2028. Empreendimento que nasce sem
informação organizada para essa fase terá de reconstruí-la depois, a custo maior.
Planejar em BIM hoje é também preparar a entrega da informação ao longo da vida 
útil.

## As normas de referência

A série ABNT NBR ISO 19650 organiza a gestão da informação na construção. As partes
1, 2 e 3 foram publicadas no Brasil em outubro de 2025, e a parte 6 segue em consulta
nacional. Para quem contrata ou executa, é essa família de normas que define o que
entregar, quando entregar e em que formato, que é, na prática, o conteúdo de um 
Plano de Execução BIM.

## Perguntas frequentes

**BIM é um software?** Não. BIM é processo de gestão de informação. Os softwares
são o meio de produzir e trocar o modelo.

**Obra privada é obrigada a usar BIM?** Não por lei geral. Mas contratos, financiamentos
e exigências de incorporadoras podem trazer a obrigação, e parte do mercado já a
inclui como condição de projeto.

**Preciso esperar 2028 para tratar operação e manutenção?** Não. Quem estrutura 
a informação agora chega em 2028 com o modelo atualizado.

## Empreendimento relacionado

O Eurobusiness teve os projetos de automação e segurança desenvolvidos pela Vieira
+Jr, a empresa de engenharia do Grupo Vieira Santos. Escopos assim exigem coordenação
entre disciplinas desde a fase de projeto, o mesmo princípio que sustenta o planejamento
em BIM. O caso está no [portfólio do Grupo Vieira Santos](https://grupovieirasantos.com/portifolio/eurobusiness).
