# Ônibus elétrico movido a energia solar: projeto da UFSC

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- Published: 2016-10-13T21:02:02-03:00
- Author: Gilberto Vieira Jr

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveu
o primeiro ônibus 100% elétrico do país movido por energia solar, captada por um
sistema instalado no telhado do laboratório de pesquisa. Além de não emitir poluentes,
a tecnologia permitirá uma economia de R$ 2 mil mensais em combustíveis.

O ônibus, que deve começar a rodar no início de novembro em Florianópolis, foi idealizado
como uma estação de trabalho móvel, com Wi-fi, para o deslocamento diário de professores
e alunos entre o campus da Trindade e o laboratório no Norte da Ilha, no Sapiens
Parque, no bairro Canasvieiras.

Neste trajeto, de 50 quilômetros, ida e volta, o custo com deslocamento, no caso
de um sistema convencional que usa diesel para as quatro viagens feitas pelos pesquisadores
diariamente, seria de aproximadamente R$ 100 diários, o que corresponde a R$ 2 mil
mensais.

**Otimização**
 Todos os dias, o grupo gasta cerca de uma hora neste percurso e 
a ideia do projeto é também otimizar o tempo no trânsito. Segundo a universidade,
o ônibus foi adquirido com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação(
MCTI), depois de uma licitação.

No total, de acordo com os pesquisadores, foram investidos R$ 1 milhão no projeto,
além das parcerias com as empresas WEG, Marcopolo e Eletra Bus.

“A grande novidade do projeto é que se trata de um veículo que será movido por energia
proveniente do Sol, limpa, renovável, inesgotável e gratuita. O sistema fotovoltaico
que fornecerá energia ao ônibus está integrado ao telhado do nosso laboratório, 
no Sapiens Parque”, explicou o pesquisador Júlio Dal Bem, membro do Grupo de Pesquisa
Estratégica em Energia Solar da UFSC.

**Sem poluentes**
 Segundo o estudioso, um ônibus com consumo médio de 670 litros
de diesel por mês emite cerca de 3,9 toneladas de CO2. Em um ano, a emissão chega
a 46,8 toneladas de CO2.

Conforme Dal Bem, um estudo do Instituto Totum e da Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo em parceria com a Fundação
SOS Mata Atlântica, apontou que cada árvore da Mata Atlântica absorve 163,14 kg 
de gás carbônico (CO2) nos primeiros 20 anos de vida, o que seria uma média de 8,1
kg de CO2 por ano.

“Precisaríamos de quase 5,8 mil árvores para resgatar o CO2 emitido por um ônibus
urbano comum em um ano de operação”, complementou o pesquisador.

**Montagem**
 Segundo Dal Bem, o sistema de tração foi desenvolvido pela WEG para
fornecer ao ônibus recarga em rede com microgeração distribuída com painéis fotovoltaicos.
A aplicação ocorreu em conjunto com a Marcopolo, que fabricou o veículo, bem como
com a Eletra, responsável por instalar e integrar o sistema de tração elétrico e
as baterias de lítio.

O primeiro ônibus elétrico do Brasil foi construído em um projeto da Mitsubishi 
Heavy Industries, do Japão, com a empresa Eletra Bus, de São Bernardo do Campo, 
informou Dal Bem. O veículo foi chamado de E-Bus e rodou por dois anos pelos corredores
de ônibus da cidade.

Ao fim do projeto, toda tecnologia trazida ao Brasil pela empresa, como importação
temporária, precisava ser devolvida ao Japão ou doada a uma instituição pública 
de ensino. Assim, carregador e baterias foram entregues à UFSC, depois que o E-Bus
foi desmontado.

**Aplicabilidade**
 “O grande problema em colocar um veículo dessa natureza em operação
está na infraestrutura elétrica para carregamento. Ultimamente, temos sido sobretaxados
nas contas de energia elétrica como uma forma de estimular a redução no consumo 
e pagar as despesas de geração com termoelétricas, que é uma energia mais cara e
mais poluente, ao invés de investir em fontes limpas e renováveis”, comentou.

Dal Bem explica que a dificuldade em desenvolver este ônibus em larga escala esbarra
também na infraestrutura do país.

“É exatamente o mesmo problema que dificulta a entrada de veículos elétricos no 
mercado nacional. Um ou outro veículo elétrico conectado à tomada não é um problema,
mas 1 milhão deles, 1% da frota nacional de veículos, já implicaria em um impacto
considerável no consumo de energia elétrica e previsão de infraestrutura elétrica”,
complementou.

**Funcionamento**
 A previsão é de que o ônibus passe a noite no Sapiens Parque 
conectado à tomada, para recarga lenta e completa das baterias. Em um primeiro momento,
haverá estação de recarga apenas no Sapiens Parque, pois a infraestrutura elétrica
da UFSC não comporta um carregador rápido para o veículo.

“Estamos conduzindo projetos de pesquisa para o desenvolvimento de carregadores 
com acumulação intermediária de energia que drenam lentamente energia da rede e 
armazenam temporariamente em baterias estáticas, que exigem baixa potência da rede
elétrica, sem sobrecarregar a infraestrutura. Os carregadores permitem uma transferência
rápida da energia acumulada nas baterias para as baterias do ônibus”, disse o estudioso.

Conforme Dal Bem, o ônibus permanecerá conectado ao carregador por cerca de duas
horas após cada percurso de ida e volta.

Fonte: [G1](http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2016/09/pesquisadores-da-ufsc-criam-onibus-eletrico-movido-energia-solar.html)
