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Como preparar um edifício para recarga de veículos elétricos

A adoção de veículos elétricos deixou de ser uma tendência distante e passou a ser uma variável de projeto. Mas existe uma diferença grande entre instalar alguns pontos de recarga depois que o edifício está pronto e conceber a infraestrutura elétrica, desde o início, preparada para essa demanda.

A primeira opção costuma esbarrar em limitações: a distribuição não foi dimensionada para a carga adicional, não há circuitos dedicados e a operação contínua dos carregadores compromete outros sistemas. A segunda transforma a recarga em um serviço confiável, previsto na lógica elétrica do edifício.

O Riviera Business & Mall, na Praia Brava em Itajaí, é um caso que ilustra essa diferença. Um centro empresarial e comercial de uso misto que incorporou, de forma precoce, infraestrutura para recarga de veículos elétricos em um edifício de acesso público.

O desafio da carga adicional

Pontos de recarga de veículos elétricos não são cargas comuns. Eles demandam potência significativa, operam por períodos prolongados e, em um edifício de acesso público, podem ser usados simultaneamente por vários veículos.

Isso significa que a decisão de oferecer recarga não se resolve no estacionamento — ela afeta a distribuição elétrica inteira do edifício. É preciso considerar a alimentação dedicada dos pontos, o impacto das cargas adicionais sobre o sistema geral e os requisitos de segurança e operação contínua do serviço.

Adicionar recarga a um edifício não é somar tomadas. É somar uma demanda que a distribuição elétrica inteira precisa estar preparada para sustentar.

Em um empreendimento de uso misto, esse desafio se soma às cargas já existentes: salas comerciais, lojas, operações de alimentação, climatização, elevadores e iluminação, todos funcionando simultaneamente ao longo do dia.

O que precisa ser definido antes da execução

Preparar um edifício para mobilidade elétrica exige decisões na fase de projeto, porque elas estruturam a capacidade do sistema.

A entrada de energia e a distribuição geral precisam ser dimensionadas contemplando a carga dos pontos de recarga, não apenas as demandas convencionais. A setorização — por pavimentos, salas, mall e estacionamento — precisa organizar essas cargas de forma coerente. E a capacidade precisa prever ampliação futura, já que a demanda por recarga tende a crescer.

A isso se soma a infraestrutura de telecomunicações, que dá base para o gerenciamento dos carregadores, além de segurança eletrônica, automação e conectividade — serviços esperados em um edifício corporativo contemporâneo.

A infraestrutura de mobilidade elétrica bem-sucedida é a que foi dimensionada para crescer. Prever a ampliação custa menos do que refazer a distribuição depois.

Integração entre disciplinas

Viabilizar recarga de veículos elétricos é um ponto onde o projeto elétrico e o de telecomunicações precisam estar integrados.

A alimentação dedicada dos carregadores é uma questão elétrica. Mas o gerenciamento desses pontos — controle de acesso, medição, operação — depende da infraestrutura de dados. Em um edifício de uso misto, essa integração ainda precisa conversar com os demais sistemas: climatização, elevadores, iluminação, segurança eletrônica e automação predial.

Quando essas disciplinas são pensadas juntas, a recarga se torna um serviço que opera de forma estável e gerenciável. Quando são tratadas isoladamente, cada ponto vira uma adaptação, com impacto na confiabilidade do conjunto.

Aplicação no Riviera Business & Mall

O Riviera Business & Mall, localizado na Avenida Osvaldo Reis, em frente a um dos principais eixos de ligação entre Itajaí e Balneário Camboriú, foi concebido como um hub empresarial da Praia Brava. Combina salas comerciais modulares, lojas, operações de alimentação e um estacionamento rotativo de grande capacidade, com fluxo constante de moradores e turistas.

No empreendimento, a Vieira+Jr desenvolveu o projeto elétrico — da entrada de energia e distribuição geral até a setorização por pavimentos, salas, mall e estacionamento, definindo quadros, circuitos e capacidades compatíveis com o perfil de uso corporativo e de varejo. O projeto considera o funcionamento simultâneo de múltiplas salas, lojas, iluminação, climatização, elevadores e equipamentos de apoio, com seletividade, proteção e possibilidade de ampliação futura.

Na infraestrutura de telecomunicações, a empresa estruturou redes para voz, dados, TV e sistemas especiais, preparando o edifício para conectividade, segurança eletrônica e automação predial.

A integração entre os projetos elétrico e de telecomunicações foi o que viabilizou soluções como os pontos de recarga de veículos elétricos e manteve o edifício tecnicamente atualizado frente às novas exigências de mobilidade.

Os pontos de recarga, com sistema Evlink Parking, tornaram o Riviera Business uma referência local em mobilidade elétrica. A presença desses carregadores em um edifício de acesso público em Itajaí o posiciona como um marco regional — e só foi possível porque a concepção do sistema elétrico considerou, desde o início, a alimentação dedicada e o impacto das cargas adicionais.

Impactos para operação e uso

As decisões de infraestrutura tomadas na concepção afetam diretamente a operação do edifício e a experiência de quem o utiliza.

Uma distribuição dimensionada para a carga de recarga garante que o serviço funcione sem comprometer os demais sistemas. A setorização bem planejada permite gerenciar o consumo por área e isolar eventuais falhas. E a previsão de ampliação evita que o edifício fique defasado conforme a demanda por veículos elétricos cresce.

Para um empreendimento de acesso público, oferecer recarga confiável é também um diferencial de atratividade — que depende inteiramente da qualidade da infraestrutura que o sustenta.

Lições para incorporadoras e construtoras

Dimensione a carga de recarga desde o projeto. Pontos de recarga demandam potência elevada e uso prolongado. A distribuição precisa ser concebida para essa demanda, não adaptada depois.

Preveja ampliação futura. A demanda por recarga tende a crescer. Deixar capacidade e infraestrutura prontas para expansão custa menos do que refazer o sistema.

Integre elétrica e telecomunicações. A alimentação dos carregadores é elétrica, mas o gerenciamento depende de dados. As duas disciplinas precisam ser coordenadas.

Setorize as cargas. Organizar a distribuição por pavimentos, salas, mall e estacionamento permite gerenciar consumo e isolar falhas em um edifício de uso misto.

Considere a operação contínua. Em acesso público, os carregadores podem operar simultaneamente por longos períodos. A segurança e a continuidade do serviço precisam estar previstas.

Antecipe a tendência. Preparar o edifício para mobilidade elétrica desde a concepção posiciona o ativo à frente de exigências que se tornam padrão de mercado.

Pontos de atenção para projetos semelhantes

  • Dimensionar a entrada e a distribuição geral contemplando a carga dos pontos de recarga.
  • Prever alimentação dedicada para os carregadores de veículos elétricos.
  • Setorizar as cargas por pavimentos, salas, mall e estacionamento.
  • Garantir seletividade e proteção compatíveis com o uso simultâneo.
  • Prever capacidade e infraestrutura para ampliação futura dos pontos de recarga.
  • Integrar o projeto elétrico ao de telecomunicações para gerenciamento dos carregadores.
  • Considerar a operação contínua e a segurança do serviço de recarga.
  • Estruturar redes para conectividade, segurança eletrônica e automação predial.

Por que instalar pontos de recarga exige planejamento elétrico específico?
Porque carregadores de veículos elétricos demandam potência elevada e operam por períodos prolongados. Em um edifício de acesso público, vários podem ser usados ao mesmo tempo. Isso afeta a distribuição elétrica inteira, exigindo alimentação dedicada, circuitos adequados e avaliação do impacto das cargas adicionais sobre o sistema geral. Instalar pontos sem esse dimensionamento compromete tanto a recarga quanto o funcionamento dos demais sistemas do edifício.

O que significa preparar um edifício para mobilidade elétrica?
Significa conceber a infraestrutura elétrica, desde o projeto, contemplando a carga dos pontos de recarga — e não adaptá-la depois. Envolve dimensionar a entrada de energia e a distribuição para essa demanda, organizar a setorização das cargas, prever capacidade para ampliação e integrar o projeto de telecomunicações para o gerenciamento dos carregadores. É uma decisão estrutural que define se o edifício poderá oferecer recarga confiável e escalável ao longo do tempo.

Por que prever ampliação futura é importante?
Porque a demanda por recarga de veículos elétricos tende a crescer. Um edifício que prevê apenas a necessidade atual pode ficar defasado em poucos anos, exigindo intervenções caras na distribuição. Deixar capacidade elétrica e infraestrutura prontas para expansão, desde o projeto, permite ampliar o número de pontos sem refazer o sistema. É uma decisão que protege o ativo e mantém o edifício alinhado a uma tendência que se consolida no mercado.

Como o projeto elétrico e o de telecomunicações se relacionam na mobilidade elétrica?
A alimentação dos carregadores é uma questão elétrica, mas o gerenciamento dos pontos — controle de acesso, medição e operação — depende da infraestrutura de dados. Por isso, os dois projetos precisam ser integrados. Em um edifício de uso misto, essa integração ainda deve conversar com climatização, elevadores, segurança e automação. Quando as disciplinas são coordenadas, a recarga opera de forma estável e gerenciável, em vez de se tornar uma solução isolada.

Que cuidados um edifício de uso misto exige na distribuição elétrica?
Um edifício de uso misto reúne salas comerciais, lojas, alimentação, climatização, elevadores e iluminação funcionando simultaneamente. A distribuição precisa ser setorizada por pavimentos, salas, mall e estacionamento, com seletividade que permita isolar falhas sem afetar o conjunto. Ao adicionar pontos de recarga, essa complexidade aumenta, exigindo que a capacidade e a organização das cargas sejam planejadas para sustentar todas as demandas com segurança e possibilidade de ampliação.


Preparar um edifício para mobilidade elétrica depende de decisões de carga e distribuição tomadas desde o projeto. Se você é incorporador, construtor ou gestor predial e quer discutir infraestrutura para recarga de veículos elétricos, projeto elétrico ou integração com telecomunicações, o Grupo Vieira Santos está à disposição para conversar sobre soluções aplicadas ao seu empreendimento.